Kirimurê

Naquela época, todo o trecho que hoje compreende os estados da Bahia e Espírito Santo era ocupado pelos povos Tupinambás, que sobreviviam da agricultura de subsistência, da caça, da pesca e da coleta. A chegada dos portugueses, no século XVI, traria mudanças profundas no modo de vida desses povos nativos. Uma delas foi o rebatismo do “grande mar interior dos Tupinambás” ou Kirimurê. Era assim que eles chamavam a Baía de Todos-os-Santos.

A beleza e a grande extensão da Baía de Todos-os-Santos encantava e atiçava a imaginação de seus primeiros habitantes, os povos Tupinambás. Batizada por eles de Kirimurê, a baía teria nascido, segundo uma lenda dos índios contada pelos cronistas da época do povoamento do Brasil, de uma grande ave de plumas muito brancas.

Conta a lenda que a ave partiu de terras muito distantes e voou incansável, dias e noites sem parar, até alcançar o litoral de uma terra imensa e bela, onde pousaria. Mas, cansada do grande esforço empreendido na longa viagem, a ave não resistiu e ali caiu já morta.

No choque contra o solo, acreditavam os índios, suas longas e alvíssimas asas transformaram-se em praias de areias muito brancas. E o seu coração, ao bater na terra, rachou-a, abrindo uma grande e profunda fenda que logo foi tomada e irrigada pelas águas do mar. O sangue que jorrou da grande ave lendária inundou e fecundou as margens daquela imensa baía e assim nasceu Kirimurê, bela e generosa, uma terra de onde os Tupinambás retiravam todos os alimentos que precisavam para sobreviver. Depois, chegou o homem branco e se apropriou de Kirimurê, rebatizando-a de Baía de Todos-os-Santos.

Municípios beneficiados