Cachoeira

Caracterização

Localizada na microrregião de Santo Antônio de Jesus, Estado da Bahia, Cachoeira traz consigo fortes traços da cultura com matrizes africanas, em especial, da etnia Malê.

Ocupando uma área de 395, a cidade foi inicialmente uma área habitada por índios e, posteriormente, colonizadas pelos portugueses, responsáveis pela sua elevação à condição de freguesia, batizada de Nossa Senhora do Rosário em 1674.

O município de Cachoeira está subdividido nos distritos de: Cachoeira (sede), Belém de Cachoeira e Santiago do Iguape. A região foi desbravada em meados do século XVI, mas o povoado nascido em torno de um engenho de açúcar, só começou a crescer um século mais tarde.

Até o início do século XIX foi um dos mais extensos da Bahia. Dele se desmembraram os primitivos municípios de Feira de Santana (1832), Tapera, atual Stª Terezinha (1849), Curralinho, hoje Castro Alves (1880), São Gonçalo dos Campos (1884), São Felix (1889), Santo Estevão (1921) e Conceição de Feira (1926). No final do século XIX, grandes obras públicas são realizadas, como a Estrada de Ferro Central da Bahia, Ponte D. Pedro II (1882/85) e a Hidroelétrica de Bananeiras (1907/20).

O atual município, que está a 8m sobre o nível do mar, limita-se com Santo Amaro, Conceição da Feira e, por meio do rio Paraguaçu, com São Felix, Maragojipe e Salinas da Margarida.

População

31.630 habitantes

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História

De Freguesia de Nossa Senhora do Rosário a Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira do Paraguaçu e depois cidade de Cachoeira, em 1873. A trajetória da cidade mostra prosperidade econômica e rica cultura baseada, principalmente, nos costumes dos escravos africanos que lá trabalharam no cultivo do fumo e da cana-de-açúcar, que por muito tempo principal produto de exportação da colônia do Brasil.

Cercada pelo rio Paraguaçu, a cidade teve papel preponderante na independência da Bahia, última província brasileira a conseguir se libertar de Portugal. Com importância histórica, cheia da magia do sincretismo religioso que liga o catolicismo ao candomblé e formada por casarios seculares, a cidade de Cachoeira foi tombada, em 1971, como Monumento Nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Nacional (IPHAN). Atualmente, a cidade é um dos principais destinos do turismo étnico-afro na Bahia.

Entre os eventos de destaque da cidade estão: a comemoração da Independência da Bahia, em 25 de junho, e a festa da Boa Morte, promovida pela Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, cujos festejos acontecem no período de 09 a 12 de agosto.

A presença dos afro-descendentes em Cachoeira é marcante. Prova disto é o número expressivo de áreas identificadas como de quilombos na região, identificadas pela Fundação Palmares, desde 2004. Ao todo são, 15 agrupamentos quilombolas. A herança remanescente se apresenta em cores fortes. Seja através das Casas de Culto Afro Religioso, seja por intermédio dos grupos e manifestações culturais.

Economia

Inicialmente uma região habitada por índios, foi a iniciativa de duas famílias portuguesas, os Dias Adorno e os Rodrigues Martins, que possibilitou sua elevação a Freguesia de Nossa Senhora do Rosário em 1674. Devido à sua localização estratégica, um entroncamento de importantes rotas que se dirigiam ao sertão, ao recôncavo, às minas gerais ou a Salvador, então capital da colônia, logo passou a se enriquecer e, em 1698, tornou-se Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira do Paraguaçu – o nome se dá por se situar próxima às quedas d´água presentes na cabeceira do Rio Paraguaçu.

O desenvolvimento do cultivo de cana-de-açúcar, da mineração de ouro no Rio das Contas e a intensificação do tráfico pelas estradas reais e da navegação do Rio Paraguaçu colaboraram para o rápido desenvolvimento econômico da região a partir do século XVIII. Já em inícios de 1800, a sociedade cachoeirense detém grande influência política e participa ativamente das guerras pela Independência da Bahia, em 1821, constituindo a Junta de Defesa. A vila foi elevada à categoria de cidade por decreto imperial de 13 de março de 1873 (Lei Provincial n° 43). Cachoeira é considerada Monumento Nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Nacional (IPHAN).

No início do século XIX, Cachoeira era a mais rica, populosa e uma das mais agradáveis vilas de todo o Brasil. Sua liderança política durante as lutas de Independência do Brasil e da Bahia projetou-a também na história política do Brasil. Antes da consolidação da Independência da Bahia, o povo da Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira do Paraguaçu, se levantou contra o jugo português, e no dia 25 de Junho de 1822 declara-se território livre do Portugal, aclamando Dom Pedro, Príncipe Perpétuo Regente do Brasil o que lhe valeu ser Sede da Junta Governativa, pouco depois, do Governo Provisório.

No rico solo “massapé” do Iguape se multiplicaram os engenhos de açúcar. Mas a atividade comercial foi, talvez, mais importante para o desenvolvimento da vila do que a produção açucareira.

Situada no limite de navegação do Paraguaçu, Cachoeira desfrutava de uma localização privilegiada, na fronteira entre duas regiões econômicas complementares: o Recôncavo e o Sertão. Para ela convergiam duas importantes vias: A Estrada Real de Gado, que demandava a zona de criação e as barrancas do Rio São Francisco; e a Estrada das Minas que de São Felix se dirigia a Chapada Diamantina, Minas e Goiás.

Com o passar do tempo, o fumo dos tabuleiros vizinhos e os diamantes de Mucugê e Lençóis se impõem na pauta da exportação de seu porto. É quando a cidade vive sua fase áurea. Para a feira de Cachoeira vinham, nessa época, gêneros comestíveis de Minas Gerais, além de algodão, couros, ouro e gado. A atividade comercial era exercida, tradicionalmente por Portugueses, mas quando a exportação de fumo se rivaliza com a do açúcar, começa a ser compartilhada com alemães e brasileiros.

Nas primeiras décadas do século XX, a antiga Vila de Nossa Senhora do Rosário ainda permanecia como referência econômica para o Estado da Bahia. Símbolos deste esplendor são a Fábrica de charutos Dannemann e Suerdick.

Gastronomia

Artesanato

Municípios beneficiados